terça-feira, 15 de novembro de 2016

Maragogipe

Casa da ponte

No início a Casa da Ponte ou os Guedes de Brito (como passou a ser chamada) desejavam expandir lavouras e também procurar metais preciosos, porém, com o passar do tempo foram surgindo outros desejos que foi o de ter currais e de multiplica-los em outras regiões. Foi a partir dessas expansões territoriais que foram criados muitos vilarejos e que na atualidade conhecemos como municípios, entre eles, está o município de Maragogipe localizada no Recôncavo da Bahia.

Maragogipe

Relação entre Salvador e Maragogipe

Salvador tinha uma relação comercial muito forte com as cidades do recôncavo da Bahia. Pois, a cidade de Maragogipe era uma das que abastecia Salvador com seus produtos, entre eles estão o fumo, farinha, batata-doce, mandioca, cana-de-açúcar e também eram bastante influentes na comercialização de escravos.


Primeiros habitantes

Antes que Maragogipe ser colonizada pelos portugueses as margens do rio Paraguaçu, foi que viviam os primeiros habitantes dessa terra que atualmente conhecemos como Maragogipe. Essa localidade era de total domínio dos povos indígenas aimorés, eram acerca de mais ou menos 200 indígenas guerreiros intitulados como “Marag-gyp” que significa braços incríveis. Pois, o nome referido a esses povos fazia jus ao que de fato eles eram.

Disponível em: http://historia.zevaldoemaragogipe.com/2012/12/fotos-antigas-de-maragogipe-no.html

Quando Maragogipe começou a ser colonizada houve ataques dos povos indígenas para que essa terra não fosse tomada pelos portugueses, mas esses ataques não foram suficientes. Os colonizadores começaram a construir cercas de paus e muros de taipa para se protegerem dos ataques deles. As casas começaram a serem feitas nas proximidades do rio para melhor acesso ao abastecimento de água nas casas, e assim, a comunidade ia crescendo nas proximidades do rio.
No período em que Maragogipe foi colonizada pelos portugueses, eles plantaram cana de açúcar construíram engenhos e casas de farinha essas atividades fizeram com que a cidade desenvolvesse um papel muito importante para as pequenas cidades do Recôncavo, pois era a responsável pelos produtos manufaturados e por transações comerciais.
Um dos portos principais de Maragogipe foi o Porto Grande sendo o maior da região que era o responsável pela importação e exportação do comércio.


Fortinho do Paraguaçu


Disponível em: http://historia.zevaldoemaragogipe.com/2011/08/historico-do-forte-de-santa-cruz-do.html

Em Maragogipe foi construído no período de “1647 ou talvez 1650” um forte de pequeno porte, mas de posição estratégica que está localizado no rio Paraguaçu. Além de ser conhecido como Fortinho do Paraguaçu, também já foi conhecido como: Taperende e Santa Cruz. Nesse fortinho ocorreram acontecimentos significantes que jamais se apagaram da história da Bahia entre elas estão as lutas libertárias de 1822 a 1823.  


A participação de Maragogipe na Independência da Bahia

Nas margens do rio Paraguaçu estava o Fortinho do Paraguaçu que serviu como forte de emergência para observar qualquer entrada suspeita e estava pronto para atirar em qualquer invasor que se atrevesse entrar em seu território. O vilarejo estava todo mobilizado, eram feitas armas e tochas sendo que o povo estava disposto a lutar rumo a independência. Na luta pela independência o Maragogipano Antônio Pereira Rebouças se destacou pela sua bravura na cidade de Cacheira em favor das lutas pela independência, tornando-se posteriormente secretário da Comissão Conciliadora, além de ter se filiado ao “Batalhão de Cachoeirense”. 
Maragogipe recebeu o título de honorifico de “Patriótica Cidade” pelo ato de coragem da população pela participação nas lutas da Independência.   

Escravizados

A venda de escravos fazia-se por meio de escrituras públicas, nessas escrituras se registravam as características dos escravizados vendidos. Os senhores brancos compradores dos escravizados tinham alguns deles que davam carta de alforria aos seus escravizados de estimação para que desfrutassem da liberdade. Era também cobrada uma taxa pela administração pública da cidade por escravizados para que eles tivessem uma licença que lhes davam o direito de comercializar em via pública.  
No final da década de 80 foi regulamentada uma lei pelo Ministério da Fazenda que queimassem todos os documentos acerca da escravidão. A sorte foi que essa lei não chegou a outras cidades e por isso deu para preservar muitos documentos sobre o período da escravidão no Brasil. Maragogipe “se manteve por mais de dois séculos, com o braço escravo em ativa” (Osvaldo Sá, pg. 19).

A visita de Dom Pedro II

 Em 9 de novembro de 1859, o imperador Dom Pedro II veio a Maragogipe, antes de recebe-lo, a comunidade tinha toda uma expectativa e uma idealização acerca do imperador, pois achavam que Dom Pedro era um homem diferente dos demais homens, a ponto do general Canabarro falar-lhe: Ora, julguei que o imperador era outra coisa; entretanto, é um homem igual a mim!
A visita do imperador ia durar apenas duas horas e meia e acabou que ele pernoitando em Maragogipe e ficou admirado ao apreciar a quantidade de palmeiras nativas que embelezavam aquela localidade a ponto de chamar Maragogipe de “Cidade das Palmeiras”.

A iluminação

A primeira iluminação pública desse local foi inaugurada em 1871 que era a base de lampião. E em 1901, no Paço Municipal foi inaugurado a  iluminação de acetilênio, e também, os mais poderosos da época passaram a terem em suas casas esse tipo de iluminação. Em 1931, Maragogipe passou a ser iluminada por energia elétrica pela Maragogipana de Eletricidade e posteriormente passou a aumentar o número de consumidores locais e estendendo o consumo a cidade de São Félix. Entretanto, em 1980 a Companhia de Eletricidade da Bahia - Coelba passa a fornecer eletricidade a todo o estado da Bahia.  

   

Empresas fumageiras alemãs

Disponível em: http://www.charutos.com.br/charutos/brasileiros/dannemann.htm

Em algumas cidades do Recôncavo da Bahia encontra-se um dos melhores centros de produção de fumo do mundo, entre elas estão, Cachoeira, São Félix, Muritiba e Maragogipe. Sendo que, importavam e exportavam produtos para todos os gostos e classes econômicas. A fábrica Dannemann, que chegou à cidade de São Félix em 1873 e passou por grande aperto financeiro no período das duas grandes guerras, pelo fato da Europa não ter mais condições de continuar a comprar em grande quantidade os seus produtos. Por conta da situação em que se encontrava a empresa, o governo brasileiro, por meio do Banco do Brasil, responsabilizou-se pela empresa que foi nomeada como Companhia Brasileira de Charutos e em 1945 foi devolvida aos seus proprietários e vindo a falência nove anos depois.

Disponível em: https://www3.ufrb.edu.br/lehrb/2013/08/29/cotidiano-mundo-fumageiro-reconcavo/

A empresa Suerdieck começou sua historia em Maragogipe em 1905 em um armazém que produzia manualmente seus charutos e transformando-se na maior empresa de charutos artesanais do mundo. O período em que a empresa se encontrava no auge de vendas chegou a ter 2.052 funcionários, fora a mão-de-obra temporária. A cidade de Maragogipe teve muitos benefícios financeiros com o “império charuteiro” que acarretava cerca de 80% na economia do município. Em 1970 a empresa enfrentou uma crise financeira decorrente da queda anual nas vendas de charutos e veio à falência em 1992. Como consequência, os 2.052 funcionários ficaram desempregados na cidade e uma queda drástica no orçamento do município.


Os alemães em Maragogipe

Muitos imigrantes alemães moravam em Maragogipe, alguns deles possuíam muitas riquezas como relata Osvaldo Sá em artigo publicado no periódico Arquivo:

“Tudo o que de melhor aqui havia, era deles. Mandavam, antes de mais nada, sobre 3.000 operários. Bem acomodados, viviam em residências das melhores. Aí ainda estão a Vila do Beco da Justiça e o Sobrado da travessa do Capitão-Mor, que equivalem a palacetes de burgomestres.”

Muitos desses alemães vieram para o recôncavo da Bahia para si refugiar e tentar uma vida melhor por conta da guerra que estava acontecendo em seu país de origem. Mas, quando o Brasil declara guerra aos países eixos no período de 1939, muda toda a realidade e privilégios desses imigrantes. Eles são afastados dos seus postos, independe de classe social, seus bens passam a serem confiscados, alguns foram presos e até torturados por conta do regime político da época.


A influência da industrialização de Salvador em Maragogipe

   Em meado da década de 90, Salvador e algumas cidades da Bahia passaram a receber investimentos do exterior e de outras regiões influentes do Brasil. Esse acontecimento é o que chamamos de industrialização, isto é, o processo de modernização de uma sociedade. Os vários centros industriais foram sendo construídos no decorrer desse período e as populações das zonas rurais passaram a migrar para essas cidades, ocorrendo um enorme e desordenado crescimento populacional. Esse fato aconteceu com a cidade de Maragogipe, os filhos de Maragogipe, naquele período, passaram a migrar para Salvador, pois em Maragogipe não havia trabalho para todos como Salvador poderia oferecer. O rumo econômico de Salvador nesse período mudou, a cidade que era sustentada pela agropecuária passa então a ter sua economia voltada para os setores industriais. Esse é o chamado êxodo rural, que ocorre justamente dessa conjuntura social: de um lado a escassez nas zonas rurais e de outro a possibilidade de trabalho na zona urbana.   

Aspecto cultural

·                   As cidades do Recôncavo Baiano tem grande influência da cultura portuguesa e africana. Na atualidade há um crescimento na cidade de Maragogipe de igrejas evangélicas, sendo que, as crenças de cada religião são respeitadas.
·       A igreja Matriz do padroeiro da cidade São Bartolomeu está localizada no ponto mais alto da colina em Maragogipe o templo é um dos mais antigos e dos maiores do Brasil, sendo que, o edifício da igreja é um dos patrimônios tombados desse município.
·       Festejos de Maragogipe: carnaval (fevereiro), festas juninas (junho), festa de São Bartolomeu (agosto) e a comemoração da Independência do Brasil (setembro).
·       Em 1883, uma espécie de café local de Maragogipe foi premiado na Filadélfia, Estados Unidos e passou a ser cobiçado mundialmente.



Referências:

·        Disponível em: http://www.achetudoeregiao.com.br/ba/maragogipe/historia.htm <acesso em 14/09/2016>
·        Disponível em: http://www.charutos.com.br/charutos/brasileiros/dannemann.htm <acesso em 28/ 09/2016>
·       Disponível em: http://historia.zevaldoemaragogipe.com/2010/07/maragogipe-e-independencia.html <acesso em 23/09/2016>
·         Disponível em: https://www3.ufrb.edu.br/reverso/2016/08/08/os-alemaes-no-reconcavo-da-bahia/ <acesso em 13/ 11/ 2016>
·  FARIAS, Terezinha Flôr de Jesus. MARAGOGIPE - DA VILLA DE SÃO BARTHOLOMEU À “CIDADE HISTÓRICA” (ENTRE O “COLONIAL” E O “MODERNO”). Dissertação (Mestre em Arquitetura e Urbanismo) PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ARQUITETURA E URBANISMO – Universidade Federal da Bahia. Salvador, 2010.
·         MATTA, Alfredo. História da Bahia: licenciatura em história. Salvador: Eduneb, 2013. 100 p.
·         Porto Filho, Ubaldo Marques. Suerdieck, epopéia do gigante. Ubaldo Marques Porto
             Filho. - Salvador: Ubaldo Marques Porto Filho, 2003. 400p. il. ISBN 85-903378-1-2.
·         QUEIROZ, Lúcia Maria Aquino; Regina Celeste de Almeida. Caminhos do Recôncavo: proposição de novos roteiros históricos – culturais para o recôncavo baiano. Salvador: UNIFACS, 2009.
·         SÁ, Osvaldo. Histórias menores (CAPÍTULOS DA HISTÓRIA DE MARAGOJIPE) volume II. Gráfica e Editora ODEAM Ltda. São Félix – Ba, 1982.
·         1. Suerdieck - Genealogia. 2. Charutos - Bahia. I. Título.

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