Casa da ponte
No
início a Casa da Ponte ou os Guedes de Brito (como passou a ser chamada)
desejavam expandir lavouras e também procurar metais preciosos, porém, com o
passar do tempo foram surgindo outros desejos que foi o de ter currais e de
multiplica-los em outras regiões. Foi a partir dessas expansões territoriais
que foram criados muitos vilarejos e que na atualidade conhecemos como
municípios, entre eles, está o município de Maragogipe localizada no Recôncavo
da Bahia.
Maragogipe
Relação entre Salvador e Maragogipe
Salvador
tinha uma relação comercial muito forte com as cidades do recôncavo da Bahia.
Pois, a cidade de Maragogipe era uma das que abastecia Salvador com seus
produtos, entre eles estão o fumo, farinha, batata-doce, mandioca, cana-de-açúcar
e também eram bastante influentes na comercialização de escravos.
Primeiros habitantes
Antes
que Maragogipe ser colonizada pelos portugueses as margens do rio Paraguaçu, foi
que viviam os primeiros habitantes dessa terra que atualmente conhecemos como
Maragogipe. Essa localidade era de total domínio dos povos indígenas aimorés,
eram acerca de mais ou menos 200 indígenas guerreiros intitulados como
“Marag-gyp” que significa braços incríveis. Pois, o nome referido a esses povos
fazia jus ao que de fato eles eram.
Disponível em: http://historia.zevaldoemaragogipe.com/2012/12/fotos-antigas-de-maragogipe-no.html
Quando
Maragogipe começou a ser colonizada houve ataques dos povos indígenas para que
essa terra não fosse tomada pelos portugueses, mas esses ataques não foram
suficientes. Os colonizadores começaram a construir cercas de paus e muros de
taipa para se protegerem dos ataques deles. As casas começaram a serem feitas
nas proximidades do rio para melhor acesso ao abastecimento de água nas casas,
e assim, a comunidade ia crescendo nas proximidades do rio.
No
período em que Maragogipe foi colonizada pelos portugueses, eles plantaram cana
de açúcar construíram engenhos e casas de farinha essas atividades fizeram com
que a cidade desenvolvesse um papel muito importante para as pequenas cidades
do Recôncavo, pois era a responsável pelos produtos manufaturados e por
transações comerciais.
Um
dos portos principais de Maragogipe foi o Porto Grande sendo o maior da região
que era o responsável pela importação e exportação do comércio.
Fortinho do Paraguaçu
Disponível em:
http://historia.zevaldoemaragogipe.com/2011/08/historico-do-forte-de-santa-cruz-do.html
Em
Maragogipe foi construído no período de “1647 ou talvez 1650” um forte de
pequeno porte, mas de posição estratégica que está localizado no rio Paraguaçu.
Além de ser conhecido como Fortinho do Paraguaçu, também já foi conhecido como:
Taperende e Santa Cruz. Nesse fortinho ocorreram acontecimentos significantes
que jamais se apagaram da história da Bahia entre elas estão as lutas
libertárias de 1822 a 1823.
A participação de Maragogipe
na Independência da Bahia
Nas
margens do rio Paraguaçu estava o Fortinho do Paraguaçu que serviu como forte de
emergência para observar qualquer entrada
suspeita e estava pronto para atirar em qualquer invasor que se atrevesse
entrar em seu território. O vilarejo estava todo mobilizado, eram feitas armas
e tochas sendo que o povo estava disposto a lutar rumo a independência. Na luta
pela independência o Maragogipano Antônio
Pereira Rebouças se destacou pela sua bravura na cidade de Cacheira em
favor das lutas pela independência, tornando-se posteriormente secretário da
Comissão Conciliadora, além de ter se filiado ao “Batalhão de Cachoeirense”.
Maragogipe
recebeu o título de honorifico de “Patriótica Cidade” pelo ato de coragem da
população pela participação nas lutas da Independência.
Escravizados
A
venda de escravos fazia-se por meio de escrituras públicas, nessas escrituras
se registravam as características dos escravizados vendidos. Os senhores
brancos compradores dos escravizados tinham alguns deles que davam carta de alforria
aos seus escravizados de estimação para que desfrutassem da liberdade. Era
também cobrada uma taxa pela administração pública da cidade por escravizados
para que eles tivessem uma licença que lhes davam o direito de comercializar em
via pública.
No
final da década de 80 foi regulamentada uma lei pelo Ministério da Fazenda que
queimassem todos os documentos acerca da escravidão. A sorte foi que essa lei
não chegou a outras cidades e por isso deu para preservar muitos documentos
sobre o período da escravidão no Brasil. Maragogipe “se manteve por mais de
dois séculos, com o braço escravo em ativa” (Osvaldo Sá, pg. 19).
A visita de Dom Pedro II
Em 9 de novembro de 1859, o imperador Dom
Pedro II veio a Maragogipe, antes de recebe-lo, a comunidade tinha toda uma
expectativa e uma idealização acerca do imperador, pois achavam que Dom Pedro
era um homem diferente dos demais homens, a ponto do general Canabarro
falar-lhe: Ora, julguei que o imperador era outra coisa; entretanto, é um homem
igual a mim!
A
visita do imperador ia durar apenas duas horas e meia e acabou que ele
pernoitando em Maragogipe e ficou admirado ao apreciar a quantidade de
palmeiras nativas que embelezavam aquela localidade a ponto de chamar
Maragogipe de “Cidade das Palmeiras”.
A
iluminação
A
primeira iluminação pública desse local foi inaugurada em 1871 que era a base
de lampião. E em 1901, no Paço Municipal foi inaugurado a iluminação de acetilênio, e também, os mais
poderosos da época passaram a terem em suas casas esse tipo de iluminação. Em
1931, Maragogipe passou a ser iluminada por energia elétrica pela Maragogipana
de Eletricidade e posteriormente passou a aumentar o número de consumidores
locais e estendendo o consumo a cidade de São Félix. Entretanto, em 1980 a Companhia
de Eletricidade da Bahia - Coelba passa a fornecer eletricidade a todo o estado
da Bahia.
Empresas fumageiras alemãs
Disponível
em: http://www.charutos.com.br/charutos/brasileiros/dannemann.htm
Em
algumas cidades do Recôncavo da Bahia encontra-se um dos melhores centros de
produção de fumo do mundo, entre elas estão, Cachoeira, São Félix, Muritiba e
Maragogipe. Sendo que, importavam e exportavam produtos para todos os gostos e
classes econômicas. A fábrica Dannemann, que chegou à cidade de São Félix em
1873 e passou por grande aperto financeiro no período das duas grandes guerras,
pelo fato da Europa não ter mais condições de continuar a comprar em grande
quantidade os seus produtos. Por conta da situação em que se encontrava a
empresa, o governo brasileiro, por meio do Banco do Brasil, responsabilizou-se
pela empresa que foi nomeada como Companhia Brasileira de Charutos e em 1945
foi devolvida aos seus proprietários e vindo a falência nove anos depois.
Disponível em: https://www3.ufrb.edu.br/lehrb/2013/08/29/cotidiano-mundo-fumageiro-reconcavo/
A
empresa Suerdieck começou sua historia em Maragogipe
em 1905 em um armazém que produzia manualmente seus charutos e transformando-se
na maior empresa de charutos artesanais do mundo. O período em que a empresa
se encontrava no auge de vendas chegou a ter 2.052 funcionários, fora a
mão-de-obra temporária. A cidade de Maragogipe teve muitos benefícios
financeiros com o “império charuteiro” que acarretava cerca de 80% na economia
do município. Em 1970 a empresa enfrentou uma crise financeira decorrente da
queda anual nas vendas de charutos e veio à falência em 1992. Como consequência,
os 2.052 funcionários ficaram desempregados na cidade e uma queda drástica no
orçamento do município.
Os alemães em Maragogipe
Muitos
imigrantes alemães moravam em Maragogipe, alguns deles possuíam muitas riquezas
como relata Osvaldo Sá em artigo publicado no periódico Arquivo:
“Tudo o que de melhor aqui
havia, era deles. Mandavam, antes de mais nada, sobre 3.000 operários. Bem
acomodados, viviam em residências das melhores. Aí ainda estão a Vila do Beco
da Justiça e o Sobrado da travessa do Capitão-Mor, que equivalem a palacetes de
burgomestres.”
Muitos
desses alemães vieram para o recôncavo da Bahia para si refugiar e tentar uma
vida melhor por conta da guerra que estava acontecendo em seu país de origem. Mas,
quando o Brasil declara guerra aos países eixos no período de 1939, muda toda a
realidade e privilégios desses imigrantes. Eles são afastados dos seus postos, independe
de classe social, seus bens passam a serem confiscados, alguns foram presos e
até torturados por conta do regime político da época.
A influência da industrialização de
Salvador em Maragogipe
Em meado
da década de 90, Salvador e algumas cidades da Bahia passaram a receber
investimentos do exterior e de outras regiões influentes do Brasil. Esse
acontecimento é o que chamamos de industrialização, isto é, o processo de
modernização de uma sociedade. Os vários centros industriais foram sendo construídos
no decorrer desse período e as populações das zonas rurais passaram a migrar para
essas cidades, ocorrendo um enorme e desordenado crescimento populacional. Esse
fato aconteceu com a cidade de Maragogipe, os filhos de Maragogipe, naquele
período, passaram a migrar para Salvador, pois em Maragogipe não havia trabalho
para todos como Salvador poderia oferecer. O rumo econômico de Salvador nesse
período mudou, a cidade que era sustentada pela agropecuária passa então a ter
sua economia voltada para os setores industriais. Esse é o chamado êxodo rural,
que ocorre justamente dessa conjuntura social: de um lado a escassez nas zonas
rurais e de outro a possibilidade de trabalho na zona urbana.
Aspecto cultural
· As
cidades do Recôncavo Baiano tem grande influência da cultura portuguesa e
africana. Na atualidade há um crescimento na cidade de Maragogipe de igrejas
evangélicas, sendo que, as crenças de cada religião são respeitadas.
· A
igreja Matriz do padroeiro da cidade São Bartolomeu está localizada no ponto
mais alto da colina em Maragogipe o templo é um dos mais antigos e dos maiores
do Brasil, sendo que, o edifício da igreja é um dos patrimônios tombados desse
município.
· Festejos
de Maragogipe: carnaval (fevereiro), festas juninas (junho), festa de São
Bartolomeu (agosto) e a comemoração da Independência do Brasil (setembro).
· Em
1883, uma espécie de café local de Maragogipe foi premiado na Filadélfia,
Estados Unidos e passou a ser cobiçado mundialmente.
Referências:
· Disponível em: http://www.achetudoeregiao.com.br/ba/maragogipe/historia.htm <acesso em 14/09/2016>
· Disponível em: http://www.charutos.com.br/charutos/brasileiros/dannemann.htm
<acesso em 28/ 09/2016>
· Disponível em: http://historia.zevaldoemaragogipe.com/2010/07/maragogipe-e-independencia.html
<acesso em 23/09/2016>
·
Disponível em: https://www3.ufrb.edu.br/reverso/2016/08/08/os-alemaes-no-reconcavo-da-bahia/
<acesso em 13/ 11/ 2016>
· FARIAS, Terezinha Flôr de Jesus. MARAGOGIPE - DA VILLA DE SÃO BARTHOLOMEU À
“CIDADE HISTÓRICA” (ENTRE O “COLONIAL” E O “MODERNO”). Dissertação (Mestre
em Arquitetura e Urbanismo) PROGRAMA
DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ARQUITETURA E URBANISMO – Universidade Federal da Bahia. Salvador, 2010.
Disponível em: https://repositorio.ufba.br/ri/bitstream/ri/.../1/DISSERTAÇÃO_MARAGOGIPE.pdf <acesso em 13/ 11/
2016>
·
MATTA, Alfredo. História da Bahia:
licenciatura em história. Salvador: Eduneb, 2013. 100 p.
·
Porto
Filho, Ubaldo Marques. Suerdieck, epopéia do gigante. Ubaldo Marques Porto
Filho. - Salvador: Ubaldo Marques
Porto Filho, 2003. 400p. il. ISBN 85-903378-1-2.
·
QUEIROZ, Lúcia Maria Aquino; Regina Celeste
de Almeida. Caminhos do Recôncavo: proposição de novos roteiros históricos –
culturais para o recôncavo baiano. Salvador: UNIFACS, 2009.
·
SÁ, Osvaldo. Histórias menores (CAPÍTULOS DA
HISTÓRIA DE MARAGOJIPE) volume II. Gráfica e Editora ODEAM Ltda. São Félix –
Ba, 1982.
·
1.
Suerdieck - Genealogia. 2. Charutos - Bahia. I. Título.




Nossa!!! MAragogipe, uma cidade e tanto! :D
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