“Sou feita de retalhos. Pedacinhos coloridos de cada vida que passa pela minha e que vou costurando na alma. Nem sempre bonitos, nem sempre felizes, mas me fazem ser quem eu sou”.
Cora Coralina
Foi com muita satisfação que escolhi nesse
trabalho falar sobre a história da minha avó paterna: localidade em
que nasceu, cresceu e criou seus 13 filhos com muita dignidade e honra. Dentre
esses 13 filhos sou filha do 9° filho, que na verdade foi o mais belo de todos
os filhos da minha avó.
Falar sobre minha avó é pensar numa mulher
forte, alegre, cuidadosa, firme (mas amável) e que criou seus filhos, por um
determinado período, praticamente sozinha, pois meu avô faleceu deixando o filho mais novo com um ano. Elaborar esse trabalho me faz reviver algumas lembranças, lembranças de quando
eu era crianças e era cuidada por ela. Passava boa parte
do meu dia em sua presença. É bem verdade que sempre gostei de ouvir aquelas histórias antigas
sobre suas aventuras de vida. Contudo, essa pesquisa acrescentou-me uma visão maior e tem me levado a perceber aspectos
que ainda não conhecia sobre a história dela e que, por ser parte da história dela, também é parte da minha.
Minha
avó e os filhos em seu aniversário de 80 anos.
Foto da minha avó com os filhos,
sendo que dos 13 filhos que ela teve 04 deles faleceram inclusive o meu pai e o
filho mais velho que está vivíssimo não se encontra nessa foto.
Entrevista
realizada com minha avó paterna Marciana Maria das Virgens nascida em 1935 na
cidade de Maragogipe
A senhora lembra de alguma
história sobre os povos indígenas ou conheceu alguns deles em Maragogipe?
Eu
não conheci, mas o avô de Manoel (meu avó) se casou com uma índia. Ele ia
comprar cachaça para vender e esses índios vinham para a estrada pedir cachaça
ai ele pegou e trouxe (sequestrou) essa índia para casa criaram a índia acho de
deram o nome dela de Suzana, depois de criada ele se casou com ela. No início
ela não queria comer mas depois conseguiram amansar ela.
Em relação aos escravizados
a senhora chegou a conhecer alguma história sobre eles?
Na
minha época não tinha mais escravos. Papai contava que ali onde Didi morou
faziam muita perversidade com eles, trabalhavam a semana toda. Os donos dos
escravos se relacionavam com as escravas e quando os filhos nasciam eram
jogados no forno para não descobrirem que o filho era dele.
Lembra do período que chegou
energia elétrica?
Na
cidade mesmo não, eu não me lembro, mas usavam lamparina. Em um arraiazinha
chamado Boa Pira tinha aquelas máquinas para botar a luz. Tinha também
lamparina que colocava azeite para acender, tinha de todos os tamanhos. Usavam
mais a lamparina quem era rico, o lampião veio depois. Eu usava mais lampião e
candeeiro a gás.
A senhora conheceu alguém
que trabalhou na Suerdieck?
Antes
da Suerdieck meu bisavô vendia fumo em Coqueiros. Minha irmã trabalhou na Suerdieck, teve que modificar a idade porque tinha 14 anos
quando começou a trabalhar lá. A empresa demorava de pagar e as vezes pagava o
salário pela metade aos funcionários. Depois a empresa fechou e foi para Cruz
das Almas.
Qual era a festa da cidade
de Maragogipe que o povo mais se mobilizava em participar na sua época?
São
João e o Natal eram as festas mais animadas. E São Bartolomeu em 24 de agosto.
A festa da cidade não era todos os pobres que vinham não só vinham para a
procissão, porque não tinham o capital (dinheiro) para vim, era muito longe,
não tinha carro, não tinha nada.
Porque a senhora veio mora
em Salvador?
Eu
vim morar aqui porque os meninos (os filhos) já estavam tudo aqui trabalhando.
Primeiro veio uma das filhas mais velhas e depois os outros vieram para
trabalhar também.
Mudou muita coisa aqui no
bairro (Beiru/ Tancredo Neves) de quando a senhora chegou para os dias atuais?
Sim.
Os terrenos eram vendidos em lotes de arrame farpados e depois foram
construindo uma casa em cima da outra.

Fico tão emocionada quando ela conta as histórias, mas escrita fica mais real na imaginação. Uma das mulheres mais fortes que eu já conheci em toda minha vida, tanta história pra contar... Agradeço a Deus por ser neta dela. Parabéns Gil pelo belo trabalho!
ResponderExcluirobrigada Rafa.
ExcluirLindo trabalho e linda história de vida!!!
ResponderExcluirHistóriaa emocionante, Gil!!!! Sempre bom relembrar nossos bons momentos em família e aqueles que amamos!!!
ResponderExcluirParabéns pelo trabalho, Gil! Certamente, sua avó relembrou as lembranças de quando vivia em Maragogipe!Deve ter sido fantástico para ela.
ResponderExcluirEmocionante ler estes relatos, muito importante para a história familiar e para a cidade de maragogipe...fiquei tão entusiasmado que vou propor na escola em que trabalho fazer um relato da história de candeias com seus moradores. Parabens Gilmaria Felipe
ResponderExcluirGil... Belo trabalho!!! Deve ter sido emocionante para vocês relembrar juntas essa história! Muito bom!!!
ResponderExcluirParabéns, muito bom ter memorias boas pra contar não é !! Senti falta da minha vo que também me fez muito feliz 😊
ResponderExcluirEste comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirParabéns Gil... Muito Interessante e bomito seu trabalho,é sempre bom relembrar os melhores momentos da nossa vida !!
ResponderExcluirPoder desfrutar do relato de uma senhorinha,sobre o sentimento de pertencer a determinada localidade ,com as histórias vividas,com o avanço e mudanças ao longo do tempo,nos faz reafirmar a importância histórica e cultural da cidade de Maragogipe.
ResponderExcluirQue legal! Parabéns pelo blog!
ResponderExcluirParabéns Gil !!!
ResponderExcluirParabéns Gil !!!
ResponderExcluirLinda história!!!
ResponderExcluirLinda história!!!
ResponderExcluirLinda história!!!
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